terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Despedida

Ela era apenas uma criança quando nós nos conheçemos. Eu, seu melhor amigo. Nós brincavamos na rua, jogávamos papel higiênico na casa do vizinho no Halloween, eramos uns pestinhas, resumidamente. O tempo passou, e quando vimos, já estávamos no Ensino Médio, pensando em qual faculdade cursar, vestibular, mas mesmo assim continuamos muito amigos. Éramos como se fossemos irmãos. Na nossa formatura, sabíamos que seria difícil nos encontrarmos dali pra frente, pois ela mudaria de cidade, e eu continuaria em nossa cidade natal. Mas ela não sabia de uma coisa. Eu era inteiramente e extremamente apaixonado por aquela garota que cresceu comigo. Uma vez a gente até se beijou, mas ela achou melhor se fosse só isso, pois não queria perder a amizade. Até que chegou o dia da viagem dela. Eu queria e não queria me despedir dela. E resolvi ficar em casa. Quando estava no sofá, pensando na vida, meu pai me perguntou por que eu não fui me despedir dela. Fiquei em silêncio. Meu pai chegou perto, sentou do meu lado, e disse: " Filho, vá. Eu sei que você ama esta menina, mas você não pode deixar esse amor acabar assim. Vai, pegue a chave do meu carro, ainda dá tempo!". Meu pai estava certo. Peguei a chave e saí correndo em direção ao carro. Entrei e dirigi com muita angústia. Não sabia se daria tempo. Quando cheguei no aeroporto, não conseguia cahar uma vaga! Procurei por um longo tempo, e nada. Acabei estacionando numa vaga de idosos. O tempo perdido era enorme, e não tinha outra vaga. Saí correndo pelo aeroporto, procurando por ela. Derrepente, avistei a mala enorme dela. Só podia ser dela! Quem mais teria uma enorme mala roxa?  Não hesitei nenhum momento. " SUZANA!" . Era ela! Era ela! Ela virou o rosto e deu um leve sorriso, parou no meio do caminho. Cheguei mais perto, e começei a falar. 
- Suzana, você não pode ir embora. Fique aqui, por favor!
- Mas, eu...
- Nada de mas! - interrompi-a e lhe dei um beijo.
Ela retribuiu o beijo. Mas não sentia paixão nele, era como se fosse um adeus.
- Querido...- ela falou- eu não posso. Me desculpe, sério, mas a minha vida tem que continuar! Não posso ficar presa aqui pra sempre!
- Não, por favor não.- começei a dizer- Su, eu te amo.
Ela suspirou, encarou meus sapatos desamarrados, e me deu um abraço.
- Desculpe...
O voo dela foi chamado.
- Eu tenho que ir. Mas eu te ligo quando eu chegar, pode ser? - ela me disse, com lágrimas nos olhos. Me deu um beijo em minha bochecha e partiu, em direção a plataforma de embraque.
Fiquei esperando o avião dela partir, com esperanças de que ela sairia do avião.Ela não saiu. Fui embora com um grande vazio no peito, e uma multa no parabrisa do carro.